“A bola não entra por acaso” de Ferran Soriano

Por Bernardo Paixão da Costa em

livro de Ferran Soriano

No que toca a futebol, muito mais do que se as equipas jogam em 4-4-2 ou 4-3-3, o que me interessa são as explicações do que se passa fora das quatro linhas. No fundo, em vez de uma elucidação sobre o futebol rendilhado do Guardiola, o que quero mesmo saber é os motivos da saída do Ronaldo para a Juventus e como é que o negócio foi feito. “A bola não entra por acaso” é isso mesmo, um livro sobre o racional por trás das grandes decisões relativas ao Barcelona entre 2002/03 e 2007/08.

Antes de mais, o livro é escrito pelo Ferran Soriano, uma das mais importantes personagens no panorama futebolístico dos dias de hoje e atual CEO do City Group, a empresa que detém Manchester City, New York City, Melbourne City e é ainda detentora de ações de outros 4 clubes.

Soriano começou a sua carreira ligada ao futebol quando, em 2003, Joan Laporta foi eleito presidente do FC Barcelona. Na altura, o clube vinha de um período bastante conturbado e Soriano, então vice-presidente com a pasta das finanças, conseguiu transformar receitas de 123M de euros (2002/03) em 309M de euros até à data da sua saída, na época de 2007/08. Depois do sucesso ligado ao Barcelona, e de outras experiências fora do desporto, Soriano viria a ser nomeado CEO do City Group em 2012.

Desde que li este livro, não consegui encontrar outro que fosse tão pormenorizado e profundo no seu conteúdo. Durante a leitura, é possível fazer uma clara ligação entre as ideias preconizadas para o Barcelona da altura e aquilo que é a estratégia do City Group nos dias de hoje, por exemplo na área da internacionalização.

No Barcelona, compreenderam que era importante entrar em novos mercados de forma a captar novos adeptos e sócios e criar outra fonte de rendimento para o clube. Então, após selecionar um novo mercado, chegava a altura de considerar qual seria a melhor estratégia a adotar de forma a ingressar de forma eficaz. No livro, que aqui deixo um excerto em inglês, Soriano escreveu o seguinte:

“The third model is still in its infancy. The reasoning behind it makes a lot of sense and appears to be a natural progression. The big football clubs have names that are recognized all over the world, they have the know-how needed to create successful teams, and they have demonstrated this proven ability. So, why don’t they create different franchises and have teams that play in other leagues, like the Japanese or North American leagues? Wouldn’t that get them the permanent presence they are looking for?”

Numa rápida tradução, Soriano fala de um modelo que está ainda “na sua infância”, mas que faz bastante sentido e será até uma progressão natural para os grandes clubes. No fundo, aquilo transmite no parágrafo transcrito acima é que fará todo o sentido os clubes criarem novos “franchises” para jogar em ligas estrangeiras e assim garantir uma presença permanente junto dos adeptos desse país.

Na altura, o Barcelona optou por seguir uma estratégia diferente. No entanto, é possível ver uma clara ligação com as ideias que hoje são seguidas pelo City Group, certo? Lendo o livro é possível encontrar ainda mais semelhanças.

 Para quem gosta de gestão desportiva, este livro é “obrigatório”.

 

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